A indústria do leite em Goiás*

 

Wellington Matos de Lima**

 

 

Resumo: Apresentar um diagnóstico da indústria do leite goiano, envolvendo uma análise da produção e comercialização do leite e seus derivados, nível de emprego, número de estabelecimentos, faturamento, incentivos, bem como os atuais problemas enfrentados.

 

Palavras-chave: Indústria do leite. Competitividade.

 

Introdução

Dada a importância e representatividade do setor lácteo para a economia goiana, sendo classificado como o segundo maior pólo em nível nacional, esse estudo foi realizado com o objetivo de traçar um diagnóstico do segmento, especificamente no tocante à indústria. O presente trabalho envolve uma análise macroeconômica da produção e comercialização do leite e seus derivados, nível de emprego, número de estabelecimentos, faturamento, incentivos, bem como os atuais problemas enfrentados. A proposta é disponibilizar informações que servirão de subsídio aos gestores públicos no planejamento e na formulação de políticas voltadas ao desenvolvimento do setor.

 

Produção leiteira em Goiás

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Goiás vem apresentando os maiores percentuais de evolução da produtividade e da produção leiteira, podendo-se verificar que no período que se estende de 1998 a 2003 o setor obteve um crescimento da produção na ordem de 27%, bem superior à nacional que foi de 19%. Em 2003, Goiás produziu 2,5 bilhões de litros de leite, aproximadamente 11% da produção nacional, números que fizeram do Estado a 2ª Bacia Láctea do país.

Verifica-se que o crescimento do efetivo bovino goiano, no período de 1998 a 2003, foi inferior ao do Centro-Oeste e ao do Brasil. Entretanto, o efetivo de vacas leiteiras e a própria produção de leite cresceram em níveis superiores, posicionando Goiás em 2º lugar no ranking nacional, em efetivo e produção.

Analisando a produção de leite por microrregião, pode-se observar que a maioria apresentou crescimento entre 2001 e 2003, sendo constatado que, em 2003, a microrregião[1] com maior representatividade foi a do Meia Ponte, com 14,3%, seguida do Sudoeste Goiano, com 11,8%, e Ceres com 8,3%. No entanto, as microrregiões de Ceres, Goiânia, Vale do Rio dos Bois e Pires do Rio apresentaram porcentagem de crescimento negativo, com -3,8%, -1,4%, -7,3% e -3,2%, respectivamente (Quadro 1). O município de Piracanjuba deteve 3,5% do total da produção leiteira, com 84 milhões de litros anuais, e a produção total, dos 10 municípios maiores produtores, girou em torno de 21,3% do leite goiano (Quadro 2).

 

Quadro 1

Produção de leite por microrregião – 2001 a 2003

Microrregiões

Produção - Mil Litros

Evolução

Microrregiões

Produção - Mil Litros

Evolução

2001

2002

2003

2001-2003

2001

2002

2003

2001-2003

Meia Ponte

 329.060

 335.730

 359.649

9,30%

Vale do Rio dos Bois

 131.832

 132.688

 122.218

-7,29%

Sudoeste

 267.831

 296.913

 297.384

11,03%

Pires do Rio

 103.701

 97.936

 100.394

-3,19%

Ceres

 218.580

 236.645

 210.209

-3,83%

Anicuns

   94.732

 97.606

 98.655

4,14%

Quirinópolis

 122.979

 142.483

 180.254

46,57%

Rio Vermelho

   87.048

 94.353

 97.490

12,00%

Porangatu

 154.648

 176.654

 179.973

16,38%

Aragarças

   66.590

 68.100

 72.200

8,42%

Anápolis

 174.934

 174.500

 176.495

0,89%

São Miguel do Araguaia

   44.216

 69.351

 70.812

60,15%

Entorno de Bsb

 147.391

 160.813

 164.815

11,82%

Iporá

   66.168

 67.718

 68.103

2,92%

Goiânia

 143.580

 146.154

 141.610

-1,37%

Vão do Paranã

   37.571

 38.294

 38.641

2,85%

Catalão

 118.959

 133.834

 131.256

10,34%

Chapada dos Veadeiros

   11.921

 13.595

 12.891

8,14%

Fonte: IBGE - 2003

 

 

Elaboração: SIC/SUPEX – 2005

 

 

 

Quadro 2

Produção de leite nos principais municípios – 2003

Município

Milhões Litros

Município

Milhões Litros

Piracanjuba

87.410

Paranaiguara

48.100

Morrinhos

71.060

Quirinópolis

48.100

Rio Verde

68.300

Catalão

37.000

Mineiros

57.373

Ipameri

33.400

Jataí

54.294

Jaraguá

31.680

Fonte: IBGE - 2003

 

Elaboração: SIC/SUPEX – 2005

 

 

Comercialização do leite e derivados

O leite e seus subprodutos podem ser enquadrados em dois grandes grupos: leite in natura e subprodutos com pouca agregação de valor; subprodutos do leite com média e alta agregação de valor. No primeiro grupo estão o leite pasteurizado, leite cru resfriado, soro de leite concentrado, butter oil, iogurte e bebida láctea, sendo sua comercialização direcionada principalmente ao mercado goiano. No segundo grupo estão os diversos tipos de queijo e requeijão, produtos em pó, leite concentrado e longa vida e doce de leite, os quais, além do consumo interno, têm como principais destinos os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal e região Nordeste (Gráfico 1).

Gráfico 1

Comercialização do leite e derivados em % – 2004

Fonte : Sindileite

Elaboração: SIC/SUPEX

 

Número de estabelecimentos

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego houve, no período entre 2002 a 2003, um crescimento do número de estabelecimentos industriais em Goiás na ordem de 4,6%. A indústria láctea[2], como conseqüência da redução do número de laticínios formais em 2003, passando de 323 para 303, ficou com índice negativo de crescimento -0,44%. O segmento que apresentou melhor desempenho foi a indústria de preparação do leite, com 24,4%.

A microrregião de Goiânia deteve, em 2003, 19% do total dos estabelecimentos industriais e, ainda, 41% das fábricas de sorvete do estado. Meia Ponte, Sudoeste, Ceres e Quirinópolis que representavam respectivamente o 1º, 2º, 3º e 4º lugares na produção de leite alcançaram apenas o 2º, 5º, 4º e 10º lugares no número de estabelecimentos industriais (Gráfico 2).

Gráfico 2

Número de estabelecimentos por microrregião – 2003

Fonte: MTE/RAIS - 2003

Elaboração: SIC/SUPEX

 

 

Ainda segundo dados do Ministério, Goiânia se constituía em 2003, no município com maior representatividade: 55 empresas detinham 12,2 % do total dos estabelecimentos industriais, 5,3% dos laticínios e 38% das fábricas de sorvete. Da mesma forma, evidencia-se que nenhum outro município possuía mais que 2% do número total de estabelecimentos, além de ficar demonstrado que grandes produtores de leite como Piracanjuba, Morrinhos, Rio Verde, Paranaiguara e Quirinópolis não se beneficiaram com a instalação de estabelecimentos industriais em seus municípios, proporcionalmente à representatividade da produção de leite (Quadro 3).

Quadro 3

Número de estabelecimentos por município – 2003

 

Município

Preparação do Leite

Fabricação de Produtos do Laticínio

Fabricação de Sorvetes

Total

Representatividade

 

Goiania

2

16

37

55

12,17%

21,7%

 

Anapolis

0

3

6

9

1,99%

 

Bela Vista de Goias

2

7

0

9

1,99%

 

Ipora

1

6

2

9

1,99%

 

Formosa

1

4

3

8

1,77%

 

Morrinhos

0

7

1

8

1,77%

 

Ipameri

2

5

0

7

1,55%

 

 

Itumbiara

1

2

4

7

1,55%

 

 

Jatai

2

3

2

7

1,55%

 

 

Jussara

3

2

2

7

1,55%

 

Fonte: MTE/RAIS - 2003

Elaboração: SIC/SUPEX

 

 

Estoque de empregos formais

O estoque de empregos formais, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, apresentou resultado positivo no período entre 2002 e 2003. A indústria goiana cresceu 4,9% e a indústria do leite 3,6%, entretanto, o segmento de fabricação de produtos de laticínios apresentou o menor índice, 2,5%, refletindo a queda do número de estabelecimentos observada no período. Goiânia, Meia Ponte e Sudoeste de Goiás se destacam como as Microrregiões mais representativas com 29%, 15% e 10%, respectivamente. Somente o município de Goiânia deteve 16,2% do total do estoque de empregos formais, 13% da ocupação das fábricas de laticínio e 71% das de sorvete (Gráfico 3 e Quadro 4).

Gráfico 3

Número de empregos formais por microrregião – 2003

Fonte: MTE/RAIS - 2003

Elaboração: SIC/SUPEX

 

 

Quadro 4

Número de empregados formais por município – 2003

 

Município

Preparação do Leite

Fabricação de Produtos do Laticínio

Fabricação de Sorvetes

Total

Representatividade

Goiania

3

610

246

859

16,22%

22,7%

Bela Vista de Goias

18

328

0

346

6,53%

Morrinhos

0

303

1

304

5,74%

 

Sao Luis de Montes Belos

0

289

2

291

5,49%

 

Santa Helena de Goias

0

267

0

267

5,04%

 

Corumbaiba

0

191

0

191

3,61%

 

Hidrolandia

1

160

0

161

3,04%

 

Itumbiara

12

129

4

145

2,74%

 

Goiatuba

0

139

1

140

2,64%

 

Rianapolis

0

140

0

140

2,64%

 

 

Fonte: MTE/RAIS - 2003

 

 

Elaboração: SIC/SUPEX

 

 

Vendas da indústria do leite

Segundo a Secretaria Estadual de Fazenda, as vendas da indústria goiana apresentaram crescimento positivo entre 2000 e 2004, correspondendo à taxa média de 28% ao ano.  Em 2003 todos os setores, a exceção do de bebidas, apresentaram crescimento bastante superior aos anos anteriores. Merece destaque a indústria do leite que obteve um crescimento de 57%, resultado, entretanto, que não se sustentou em 2004, quando registrou o pior índice dos últimos quatro anos, apenas 5,3% (Quadro 5). Fatos que contribuíram para esse pífio resultado foram a queda do número de estabelecimentos e a desaceleração da oferta de empregos no ano de 2003.

 Como se pode perceber, em 2004 a indústria do leite esteve concentrada em três microrregiões: Goiânia, Sudoeste de Goiás e Meia Ponte, com 41,0%, 14,4% e 10,9%, respectivamente, totalizando 62,3 % do faturamento do setor. Entre os anos de 2000 a 2004, a microrregião de Goiânia se destaca como a de maior crescimento, com 311% contra 119% e 78% do Sudoeste de Goiás e de Meia Ponte. Apesar do crescimento verificado nos últimos quatro anos, a microrregião do Sudoeste perdeu cerca de 60 milhões de reais em faturamento entre os anos 2003 e 2004 (Quadro 6).

Quadro 5

Vendas da indústria em Goiás – 200o a 2004

Setor/Segmento

Valor Total da Saídas(VC) por ANO (R$ - mil)

2003 -2004

2000

2001

2000

2003

2004

Indústria Goiana (IE+IT)

17.026.302

21.183.083

26.986.723

36.863.295

46.777.064

26,9%

Indústria Extrativa (IE)

654.399

703.279

755.685

905.691

1.375.939

51,9%

Indústria de Transformação (IT)

16.371.903

20.479.804

26.231.038

35.957.604

45.401.125

26,3%

Indústria de Alim. e Bebidas (IA+IB)

10.322.535

13.066.665

16.854.182

23.744.598

28.849.177

21,5%

Indústria de Alimentos (IA)

9.665.414

12.078.896

15.591.616

22.127.349

26.811.259

21,2%

Indústria de Bebidas (IB)

657.121

987.770

1.262.565

1.617.250

2.037.918

26,0%

Indústria do Leite (PL+FL+FS)

1.253.652

1.505.654

1.749.473

2.755.943

2.901.252

5,3%

Preparação do Leite (PL)

460.424

533.687

605.069

815.789

870.148

6,7%

Fabricação de Produtos de Laticínios (FL)

787.847

965.580

1.135.736

1.927.345

2.015.081

4,6%

Fabricação de Sorvetes (FS)

5.381

6.387

8.668

12.810

16.023

25,1%

Fonte: SEFAZ/CNAE

 

Elaboração: SIC/SUPEX

 

 

Quadro 6

Indústria do leite por microrregião – 2000 a 2004

(Preparação do Leite + Fabricação de Laticínios + Fabricação de Sorvetes)

Microrregião

Valor Total das Saídas (VC) R$ mil

Em %

2003 -2004

2000

2001

2000

2003

2004

GOIÂNIA

289.530

427.094

490.631

987.725

1.190.265

41,0%

20,5%

SUDOESTE DE GOIÁS

190.679

241.526

355.566

477.556

417.677

14,4%

-12,5%

MEIA PONTE

177.194

214.426

187.324

307.824

314.961

10,9%

2,3%

CATALÃO

117.606

141.095

190.252

218.408

236.784

8,2%

8,4%

ANICUNS

125.610

137.356

172.567

190.249

194.556

6,7%

2,3%

CERES

99.540

95.086

111.284

195.816

169.328

5,8%

-13,5%

PORANGATU

17.146

13.256

24.661

88.162

118.568

4,1%

34,5%

PIRES DO RIO

33.268

35.723

41.179

47.171

57.144

2,0%

21,1%

VALE DO RIO DOS BOIS

35.913

32.391

33.222

38.970

42.189

1,5%

8,3%

IPORÁ

25.111

22.414

21.005

29.958

41.098

1,4%

37,2%

QUIRINÓPOLIS

36.058

47.962

44.068

68.340

32.887

1,1%

-51,9%

ANÁPOLIS

39.800

33.350

26.383

35.744

32.877

1,1%

-8,0%

ENTORNO DE BRASÍLIA

13.754

14.255

12.000

21.326

23.038

0,8%

8,0%

RIO VERMELHO

19.402

15.724

14.242

31.633

18.079

0,6%

-42,8%

ARAGARÇAS

19.277

18.237

18.155

14.755

7.059

0,2%

-52,2%

SÃO MIGUEL DO ARAGUAIA

13.642

15.723

6.877

2.216

4.581

0,2%

106,8%

CHAPADA DOS VEADEIROS

30

20

52

87

143

0,0%

64,3%

VÃO DO PARANÃ

92

14

3

4

16

0,0%

303,1%

TOTAIS

1.253.652

1.505.654

1.749.473

2.755.943

2.901.252

 

5,27%

Fonte: SEFAZ/CNAE

 

Elaboração: SIC/SUPEX

 

 

Analisando o setor lácteo por segmentos, a fabricação de laticínios representou 69% do total do faturamento, seguida da preparação do leite, com 30%, e por último a fabricação de sorvetes com 1%.  Em 2004, segundo dados da SEFAZ, a microrregião de Goiânia representou a primeira em faturamento na preparação do leite, na fabricação de produtos de laticínio e na fabricação de sorvetes, com 39% ,43% e 74%, respectivamente. 

Na preparação do leite a microrregião que apresentou maior crescimento, entre 2000 e 2004, foi a de Porangatu, com 622%, seguida do Sudoeste Goiano, com 495%. A análise também indica que a maioria das microrregiões vem perdendo faturamento. A microrregião do Meia Ponte, maior produtora de leite, obteve índice negativo no mesmo período, -6,5 %.

 A microrregião de Goiânia obteve, na fabricação de produtos de laticínios, o maior crescimento, alcançando aproximadamente R$ 718 milhões entre 2000 e 2004. O Sudoeste Goiano, que vem em segundo lugar, atingiu a cifra de apenas R$ 143 milhões no mesmo período. Apesar da ocorrência de crescimento do faturamento em praticamente todas as microrregiões, no Sudoeste Goiano e em Ceres, segundo e terceiro maiores produtores de leite do Estado, entre 2003 e 2004 o faturamento foi decrescente, -40,5% e -11,9%, respectivamente.

A fabricação de sorvetes em Goiás esteve com forte concentração na microrregião de Goiânia, fato já comprovado pelo número de estabelecimentos, 19%, e por apresentar o maior estoque em empregos formais, totalizando 29% do setor.

O município de Goiânia deteve 23% da indústria láctea em 2004, no entanto, dentre os municípios com faturamento acima de 100 milhões de reais, Bela Vista de Goiás foi o que mais cresceu entre 2000 e 2004, cerca de 713%. Goiânia obteve um crescimento na faixa de 247% e Jataí, 235% (Quadro 7). Jataí destacou-se como o primeiro na preparação do leite, com 18%, seguido de Goiânia e Hidrolândia, ambas com 16% cada.  Na fabricação de produtos do laticínio e de sorvetes, Goiânia ficou em primeiro lugar, com 25% e 75%, respectivamente.

Quadro 7

Indústria do leite por município – 2000 a 2004

(Preparação do Leite + Fabricação de Laticínios + Fabricação de Sorvetes)

 

Microrregião

Valor Total das Saídas(VC) R$ mil

Em %

2003 -2004

 

2000

2001

2000

2003

2004

 

GOIÂNIA

194.813

261.179

252.420

601.408

675.961

23,3%

12,4%

 

BELA VISTA DE GOIÁS

41.336

49.462

105.399

237.594

336.228

11,6%

41,5%

 

JATAI

67.418

77.729

109.349

209.865

226.020

7,8%

7,7%

 

CORUMBAÍBA

87.525

118.101

148.639

175.257

207.828

7,2%

18,6%

 

SÃO LUÍS DE MONTES BELOS

87.168

98.462

129.833

137.296

148.851

5,1%

8,4%

 

HIDROLÂNDIA

28.110

91.369

108.013

113.943

138.228

4,8%

21,3%

 

ITUMBIARA

53.498

78.227

46.121

126.304

123.931

4,3%

-1,9%

 

RIALMA

47.866

33.988

37.521

111.846

92.817

3,2%

-17,0%

 

MORRINHOS

45.136

51.143

57.337

84.371

90.097

3,1%

6,8%

 

URUAÇU

576

877

10.096

59.919

86.159

3,0%

43,8%

 

SANTA HELENA DE GOIÁS

73.533

117.768

201.996

210.568

82.622

2,8%

-60,8%

Fonte: SEFAZ/CNAE

 

Elaboração: SIC/SUPEX

 

 

Incentivos

Para a análise dos programas PRODUZIR e FOMENTAR, da Secretaria de Indústria e Comércio, tomou-se como referência as empresas que já utilizaram ou estão utilizando os benefícios. As três microrregiões que mais receberam incentivos: Sudoeste de Goiás, Goiânia e Meia Ponte, aqui representadas pelo valor do investimento fixo declarado pelas empresas, coincidem com as microrregiões que obtiveram maior faturamento em 2004, sinalizando que os programas foram e são importantes ferramentas para o desenvolvimento regional (Quadro 8). Dentre os 31 municípios que já receberam benefícios, Itumbiara, em 2005, ocupa o 1º lugar em investimento fixo. Computa-se o valor de 31 milhões de reais, o equivalente a 14,3% de um total de 218 milhões investidos em Goiás (Quadro 9).  Dos 15 municípios que mais receberam benefícios do PRODUZIR e FOMENTAR, 10 estão igualmente classificados entre os que mais faturam com a indústria do leite.

Quadro 8

Utilizando/Utilizou os Programas do PRODUZIR/FOMENTAR por microrregião – 2005

Investimento Fixo

Representatividade

Microrregião

R$

 

Sudoeste de Goiás

   51.298.528

23,57%

 

 

 

Goiânia

   41.620.433

19,13%

 

 

 

Meia Ponte

   35.423.534

16,28%

 

 

 

Anicuns

  29.193.459

13,42%

 

 

 

Porangatu

   10.734.633

4,93%

 

 

 

Iporá

     9.924.043

4,56%

 

 

 

Anápolis

    9.322.813

4,28%

 

 

 

Catalão

     7.994.941

3,67%

 

 

 

Quirinópolis

     7.612.474

3,50%

 

 

 

Ceres

     6.827.915

3,14%

 

 

 

Aragarças

     2.899.734

1,33%

 

 

 

Pires do Rio

     1.643.008

0,76%

 

 

 

Entorno de Brasília

    1.606.371

0,74%

 

 

 

Rio Vermelho

     1.164.430

0,54%

 

 

 

São Miguel do Araguaia

        349.589

0,16%

 

 

 

Total Investido

 217.615.905

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: PRODUZIR/FOMENTAR - 2005

 

Elaboração: SIC/SUPEX – 2005

 

 

Quadro 9

Utilizando/Utilizou os Programas do PRODUZIR/FOMENTAR por município – 2005

Município

R$

Representatividade

Itumbiara

    31.045.823

14,3%

56,7%

São Luís de Montes Belos

    26.722.816

12,3%

Santa Helena de Goiás

    24.590.375

11,3%

Hidrolândia

    21.817.812

10,0%

Rio Verde

    19.124.938

8,8%

Bela Vista de Goiás

    15.090.305

6,9%

 

Uruaçu

    10.734.633

4,9%

 

Corumbaíba

      7.994.941

3,7%

 

Quirinópolis

      7.612.474

3,5%

 

Itaberaí

      7.489.088

3,4%

 

Mineiros

      7.421.481

3,4%

 

Rianápolis

      6.827.915

3,1%

 

Amorinópolis

      5.095.987

2,3%

 

Goiatuba

      4.267.402

2,0%

 

Goiânia

      4.160.958

1,9%

 

Fonte: PRODUZIR/FOMENTAR - 2005

 

Elaboração: SIC/SUPEX – 2005

 

 

Problemas atuais

Segundo se apurou através de representantes da FAEG - Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás e do SINDILEITE – Sindicato das Indústrias de Laticínio no estado de Goiás, o problema que mais afeta o setor atualmente é a acirrada guerra fiscal com os estados de Minas Gerais e São Paulo. Os benefícios fiscais oferecidos por estas Unidades da Federação têm assegurado vantagens competitivas às suas indústrias, tanto na aquisição da matéria prima quanto na comercialização do produto final, principalmente do Leite Longa Vida e do queijo, causando uma crise na cadeia do leite em Goiás. Outros problemas apontados: grande volume de leite comercializado informalmente; concentração em um número reduzido de grandes redes compradoras do leite in natura; malha rodoviária precária que onera os custos com transporte; pequena produção ou baixa qualidade de produtos com maior valor agregado.

 

Considerações finais

É conhecida a tradição agropecuária do estado de Goiás, em que a indústria do leite representa um setor de expressão na cadeia produtiva, bem como para a economia goiana. Hoje, segundo o SINDILEITE, a indústria de laticínios agrega cerca de 550 estabelecimentos industriais, que processam diariamente 6,8 milhões de litros de leite, gerando aproximadamente 8 mil empregos diretos e outros 220 mil indiretos. Apesar dessa representatividade, fatores endógenos e exógenos afetam periodicamente o desempenho do setor, causando fortes variações na produção, e consequentemente no nível de emprego e renda. Essas variações puderam ser evidenciadas nesse estudo, demonstrando que, apesar de crescimento em vários aspectos, o setor vem perdendo competitividade. Dessa forma, cabe aos produtores e empresários a tarefa de buscar alternativas viáveis para a continuidade de seus negócios, utilizando mecanismos que podem abranger tanto a redução de custos e margens de lucro, como o aumento da produtividade, através de ganhos de eficiência. Ao Governo cabe dar respostas rápidas e eficazes no combate à informalidade a aos desequilíbrios cíclicos que podem ter conseqüências naturais ou provocadas. 

Ao que parece, a proximidade com os estados de Minas Gerais e São Paulo, grandes produtores de matéria prima e de produtos industrializados e que vêm adotando uma política agressiva de incentivos fiscais, tem se configurado como um dos principais problemas da indústria láctea local. Enquanto prevalecer o impasse no Congresso Nacional sobre a proposta de reforma tributária, torna-se fundamental que o Governo do estado estude caso a caso as questões, procurando soluções individuais para os problemas que se apresentam, e que promova, em tempo hábil, ajustes à sobrevivência do setor.

No tocante à questão tributária, há a reivindicação dos empresários de ampliação do crédito outorgado nas saídas interestaduais para 7% e a redução da base de cálculo nas operações internas, ficando estabelecido o teto máximo de 5%. Nesse caso, o pedido já está sendo analisado por técnicos da Secretaria da Fazenda, em que acredita-se que o órgão estará atento no que pese a importância da tributação interna para a competitividade do setor diante de outros estados.

A Secretaria de Indústria e Comércio, que tem por missão promover o desenvolvimento de Goiás, com um dos principais focos de atenção voltados para a indústria, seja pela expansão e consolidação do parque existente, seja pela atração de novos investimentos, tem feito um grande esforço para viabilizar a instalação dos 44 projetos de cooperativas e laticínios já aprovados pelo PRODUZIR e FOMENTAR, viáveis para utilização. A implantação dessas empresas, com previsão de investimentos na ordem de R$ 333 milhões, proporcionará maior competitividade ao setor, trazendo benefícios reais para produtores e consumidores.

Na visão desta Secretaria, o presente estudo assume particular relevância, compilando dados que deverão ser apresentados para os diversos segmentos do setor, principalmente o industrial, a quem cabe a responsabilidade pela agregação de valor aos produtos, no intuito de ressaltar a excelente oportunidade de negócio que se apresenta na cadeia láctea goiana. Com mercados garantidos e, no entanto, com ainda reduzida capacidade produtiva, os produtos de alto valor agregado necessitam de maior atenção, num alinhamento e aproveitamento do potencial de produção e de produtividade do gado leiteiro em Goiás.  Finalmente, é preciso maior interação e integração entre o Governo e a iniciativa privada, para a promoção de um pacto em prol do crescimento econômico e do desenvolvimento geral do estado, a começar pela tradicional e promissora cadeia produtiva do leite.

Referências

RELAÇÃO Anual de Informações Sociais: 2002 a 2003. Brasília: MTE, 2004.

PRODUÇÃO da Pecuária Municipal: 2001 a 2003. Rio de Janeiro: IBGE, 2004.

CLASSIFICAÇÃO Nacional de Atividades Econômicas: 2004. Goiás: SEFAZ, 2005.

PRODUÇÃO e Comercialização do Leite: 2004. Goiás: SIDILEITE, 2005.

PRODUÇÃO do Leite: 2004. Goiás: FAEG, 2005.

RELAÇÃO de empresas do PRODUZIR e FOMENTAR: 2005. Goiás: SIC, 2005.



* Agradecimento a Flávia Fleury e Heloisa Mazzoccante, assessoras da SIC-GO, pela participação na elaboração do estudo.

** Economista, Pós-Graduado em Análise e Gerência de Sistemas pela GFI/UNB e em Tecnologia de Gestão do Uso do Poder de Compra pela FUBRA, Gestor de Planejamento e Orçamento da SIC – GO. e-mail: wellington@sic.goias.gov.br

 

[1]  Microrregiões definidas pelo IBGE.

[2] Indústria do Leite (Láctea) compreende a preparação do leite, a fabricação de produtos de laticínio e a fabricação de sorvetes.

Sumário