O PIB Goiano em 2003[1]

 

Dinamar Maria Ferreira Marques*

Marcos Fernando Arriel**

 

Resumo: Os resultados do Produto Interno Bruto de Goiás apresentado neste artigo compreendem o desempenho da economia goiana, sua composição no PIB nacional e na região Centro-Oeste, taxas de crescimento da produção e PIB per capita. Esses dados estão expressos em valores correntes, moeda do próprio ano. São demonstrados indicadores de crescimento anual e da estrutura produtiva do estado.

 Palavras-chave: Produto Interno Bruto; PIB per capita; economia goiana em 2003;  estrutura produtiva goiana.

 Introdução

O Produto Interno Bruto (PIB) corresponde ao valor, a preços de mercado, de todos os bens e serviços finais internamente produzidos dentro do território nacional ou regional, num determinado período de tempo. A Secretaria do Planejamento e Desenvolvimento calcula o PIB anual de Goiás de acordo com a metodologia implementada pelo IBGE. Esta metodologia é compatível com as Contas Nacionais, comparável com a utilizada pelas demais Unidades da Federação e segue as recomendações do modelo padronizado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Os dados disponibilizados apresentam uma certa defasagem, compatível com o processo metodológico aplicado. O trabalho é realizado em convênio com o IBGE, coordenador nacional das Contas Regionais, e os demais órgãos estaduais de estatística. O resultado final do PIB depende do fechamento do cálculo por todas as unidades da federação.

Economia brasileira no ano de 2003

A economia brasileira em 2003 apresentou dois momentos distintos. Até o final do primeiro semestre foi marcado pelo ambiente macroeconômico adverso, resultante da crise do segundo semestres de 2002, agravado pelo processo eleitoral, bem como pelos ajustes requeridos para a sua superação, implicando recuo da demanda interna e dos fluxos de investimentos, elevação da taxa de juros e deterioração do poder de compra dos rendimentos. Nesse primeiro momento predominaram os desdobramentos do processo de transição política notadamente a elevação do risco-país, a redução de disponibilidade de recursos externos e conseqüente  depreciação da taxa de câmbio.

No segundo momento iniciou-se o processo de recuperação do nível de atividade. O recuo da inflação, o dinamismo da produção industrial, das vendas do comércio varejista  e gasto com investimentos, possibilitaram o aumento da demanda por bens de consumo duráveis e bens de capital.

A recuperação ocorrida no nível de atividade econômica no segundo semestre e o bom desempenho da agropecuária evitou que o PIB brasileiro registrasse taxa negativa no ano de 2003, com crescimento de 0,55%. Em valores correntes alcançou montante de R$ 1,556 trilhão (tabela 1)

Economia Goiana

Apesar das adversidades ocorridas na economia brasileira em 2003, a economia goiana apresentou um bom desempenho. O estado de Goiás que tem como alicerce o agronegócio, embora não estivesse imune aos reflexos da instabilidade econômica, obteve desempenho de 5,06%[2] em volume no ano de 2003, resultado superior à média nacional em 4,41 pontos percentuais. O PIB a preço de mercado corrente atingiu R$ 36,835 bilhões no ano de 2003, valor superior ao de 2002 que foi de R$ 31,299 bilhões, agregando a mais a economia goiana R$ 5,536 bilhões. Sua participação que fora de 2,33% no produto nacional em 2002, passou para 2,37% em 2003, resultado que assegurou ao estado a 10ª posição no ranking nacional.

 

Gráfico 1

ESTADO DE GOIÁS e Brasil: Taxa de crescimento do Produto Interno Bruto – 2000 - 03

(%)

 

Elaboração: Seplan-GO/Sepin/Gerência de Contas Regionais – 2005

Na região Centro-Oeste, Goiás  participou com 31,71% da riqueza gerada, posicionando-se na segunda colocação, perdendo apenas para o Distrito Federal (32,50%). Os demais estados, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul participaram com 19,47% e 16,33% respectivamente. A região vem ganhando participação no PIB nacional. Em 2000 a região representava 6,95% e em 2003 passou para 7,46%, atingindo valor de R$ 116,172 bilhões. O avanço da região Centro-Oeste na participação do PIB nacional, nos últimos anos, é fruto do processo de especialização industrial que busca eficiência e competitividade. Com o avanço da agroindústria, passaram a predominar na região indústrias de bens não duráveis, especialmente as de alimentos. As estatísticas confirmam que a indústria de alimentos foi a que mais cresceu no Brasil nos últimos anos, motivada pela integração entre agricultura e indústria.

Gráfico 2

ESTADO DE GOIÁS: Produto Interno Bruto - Participação na Região Centro-Oeste – 2003

Elaboração: Seplan-GO/Sepin/Gerência de Contas Regionais – 2005

 

A estrutura produtiva dos grandes setores  do PIB goiano para o ano de 2003 ficou assim definida: Agropecuária, com participação de 21,94%, agregou R$ 7,434 bilhões e apresentou expansão de 11,33%; a indústria teve participação de 35,15%, agregou R$ 11,912 bilhões e apresentou crescimento de 4,53%; e serviços, que contribuiu com 42,91%, agregou R$ 14,543 bilhões e expandiu 2,21%.

É importante observar a evolução dos setores da economia no decorrer do período de 2000 a 2003. Os dados revelam queda de participação do setor de serviços, enquanto que os setores da agropecuária e indústria expandiram neste período. No ano de 2000, serviços representava 50,32% da economia estadual, já a agropecuária participava com 17,19% e indústria 32,49%. No ano de 2003, serviços caiu para 42,91%, em contrapartida agropecuária e indústria aumentaram para  21,94% e 35,15% respectivamente. Fato explicado pelo fraco desempenho da atividade de serviço e pelo forte desempenho da agropecuária e pelo dinamismo da  agroindústria.

Gráfico 3

Estado de Goiás: Participação das Atividades Produtivas – 2000 - 03

 

Elaboração: Seplan-GO/Sepin/Gerência de Contas Regionais – 2005

Em 2003, o estado de Goiás possuía população de 5,4 milhões de habitantes distribuída em 246 municípios e PIB de R$ 36,835 bilhões, que resultou num PIB per capita de R$ 6.825, obtendo crescimento real de 2,90% e ocupando a 12ª posição no ranking nacional. Esta variação positiva confirma crescimento contínuo ao longo da série (tabela 1).

O PIB per capita goiano aumentou significativamente nos últimos anos, passando de R$ 4.276 no ano de 2000  para R$ 6.825 no ano de 2003. Neste período este indicador apresentou crescimento real de 11,02%, a uma média anual de 2,65%. Isto significa que a economia do estado expandiu a taxas bem superiores ao crescimento populacional. Se comparado à economia brasileira o PIB per capita cresceu 2,26% no período analisado, com média anual de apenas 0,54%. Apesar  do bom desempenho, o PIB per capita  do estado de Goiás foi inferior ao nacional que  em 2003  atingiu o valor de  R$ 8.694.

Tabela 1

ESTADO DE GOIÁS e Brasil: Produto Interno Bruto, Produto

Interno Bruto per capita e taxas de crescimento – 2000 - 03

Ano

Produto Interno Bruto

Produto Interno Bruto per capita

Valores Correntes
(R$ milhão)

Taxas de Crescimento (%)

Valores Correntes (R$)

Taxas de Crescimento (%)

Goiás

Brasil

Goiás

Brasil

Goiás

Brasil

Goiás

Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2000

21.665

1.101.255

5,11

4,36

4.276

6.430

2,86

2,82

2001

25.048

1.198.736

4,32

1,31

4.839

6.896

2,12

-0,17

2002

31.299

1.346.028

4,90

1,93

5.921

7.631

2,72

0,44

2003

36.835

1.556.182

5,06

0,55

6.825

8.694

2,90

-0,91

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Elaboração: Seplan-GO/Sepin/Gerência de Contas Regionais – 2005

 

 Tabela 2

ESTADO DE GOIÁS: Estrutura, taxas de crescimento e impactos

na taxa global do Valor Adicionado Bruto – 2002 – 03

 

 

 

 

 

(%)

Setores de Atividades

Estrutura

Taxas de Crescimento

Impactos 2003

2002

2003

2002

2003

 

 

 

 

 

 

Agropecuária

22,51

21,94

7,82

11,33

2,55

Indústria

32,62

35,15

3,26

4,53

1,48

Indústria extrativa mineral

0,23

0,26

4,85

5,55

0,01

Indústria de transformação

15,95

18,63

10,58

6,60

1,05

Eletricidade, gás e água

5,84

6,48

-5,96

5,24

0,31

Construção

10,59

9,79

-0,37

1,00

0,11

Serviços

44,87

42,91

4,53

2,21

0,99

Comércio e reparação de veículos e de objetos pessoais e de uso doméstico

7,26

7,34

3,09

0,81

0,06

Alojamento e alimentação

1,01

0,88

2,13

2,10

0,02

Transportes e armazenagem

1,54

1,51

2,31

-0,26

0,00

Comunicações

3,25

2,89

22,61

-1,65

-0,05

Intermediação financeira

4,66

4,23

5,33

4,90

0,23

Atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados às empresas

5,86

5,34

2,55

3,00

0,18

Administração pública, defesa e seguridade social

14,65

14,29

2,13

2,10

0,31

Saúde e educação mercantis

2,86

2,73

2,13

2,10

0,06

Outros serviços coletivos, sociais e pessoais

3,25

3,16

9,45

5,70

0,19

Serviços domésticos

0,54

0,54

2,13

2,10

0,01

 

 

 

 

 

 

Valor adicionado Total

100,00

100,00

4,67

5,02

5,02

 

 

 

 

 

 

Elaboração: Seplan-GO/Sepin/Gerência de Contas Regionais – 2005

 

Análise setorial

 

As atividades produtivas que mais contribuíram para o expressivo resultado de 5,06% foram: agropecuária, indústria de transformação, indústria extrativa mineral e eletricidade, gás e água. Vale ressaltar que apenas duas atividades registraram decréscimo: comunicações e transporte e armazenagem.

 

Agropecuária

 

A agropecuária tem assumido papel importante na economia goiana, dado sua  capacidade de produzir matérias primas para as agroindústrias, impulsionar a balança comercial, bem como na geração de empregos. Nos últimos anos, esta atividade apresentou crescimentos contínuos, influenciados pela elevação nos preços dos produtos da agropecuária, principalmente nos produtos de commodietes, no acumulado de 2000 a 2003 a agropecuária goiana registrou variação de 38,26%, atingindo média anual de 8,44%, perdendo apenas para atividade de comunicação. Este desempenho deveu-se principalmente a dois fatores naquele ano: crescimento da produtividade, aumento das exportações de produtos da agropecuária e da agroindústria.

A participação da atividade agropecuária no Valor Adicionado Bruto (VAB) de 22,51% em 2002, caiu para 21,94% em 2003 e agregou R$ 7,434 bilhões à economia. O expressivo resultado apurado de 11,33% nesta atividade foi principalmente pelo excepcional crescimento no valor bruto da produção da lavoura temporária (12,49%). A produção animal teve desempenho inferior ao da lavoura, cresceu 1,13%.

Na agricultura, os produtos que mais influenciaram para o bom desempenho foram: soja, feijão, milho, cana-de-açúcar, sorgo, tomate e trigo.

Neste ano a soja obteve crescimento de 16,90% no volume de produção, continuou sendo o produto de maior importância na agricultura goiana, representando 49,51% do valor bruto das lavouras temporárias e permanentes e 18,45% do valor bruto da produção da agropecuária no ano de 2003. A produção naquele ano atingiu o montante de 6.319.213 t, ocupando a 4ª posição na produção nacional e uma área colhida de 2.176.720 ha, com produtividade de 2,90 t/ha. O cultivo da soja vem sendo disseminado em vários municípios do estado. Em 2003, 155 municípios plantaram essa oleaginosa, contra 143 em 2002. Os municípios com maior produção foram: Rio Verde (11,87%), Jataí (9,74%), Mineiros (5,21%), Montividiu (5,06%), Cristalina (4,27%) e Chapadão do Céu (3,78%), representando 39,93% da produção do estado e participando em 37,76 % de toda a área plantada desta cultura em Goiás. Os principais municípios com maior produtividade foram: Portelândia, Serranópolis,  Montividiu e Jataí.

É importante destacar a importância da soja no desenvolvimento do estado. Segundo pesquisa do IBGE, nos municípios grandes produtores de soja o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) é elevado. Municípios como Rio Verde,  Jataí e Chapadão do Céu, grandes produtores de soja, estão entre os de melhor IDH do estado.

A cultura do Feijão, em 2003, estava presente em 134 municípios goianos. Sua produção naquele ano foi de 289.172 t, obtendo um crescimento de 22,83% numa área colhida de 139.852 ha. O estado destaca-se como o maior produtor desta cultura na região Centro-Oeste e ocupa a 5ª posição na produção nacional. Os cinco municípios maiores produtores de feijão responderam por 52,23% da produção regional: Cristalina (24,48%), Luziânia (10,41%), Cabeceiras (6,08%), Montividiu (5,71%), e Rio Verde (5,55%).

O milho é a cultura que tem o segundo maior peso na agricultura goiana (15,21%), em 2003 obteve um crescimento de 7,17% na produção em relação ao ano anterior. A produção que era de 3.389.532 t em 2002, passou para 3.632.636 em 2003, ano em que a produtividade atingiu  5,07 t/ha.

A produção de cana-de-açúcar em Goiás expandiu de 10,57% no ano de 2003, refletindo as excelentes cotações dos seus principais derivados, o açúcar e o álcool. Neste ano foram colhidas 12.907.592 t numa área de 164.861 ha e produtividade de 78,29 t/ha, média superior a nacional 73,73 t/ha. O estado, ainda sem tradição nesta cultura, reúne esforços para se tornar a nova rota do setor sucroalcooleiro na região Centro-Oeste.

O sorgo, que é cultivado em rotação de cultura com a soja, vem sendo uma alternativa em substituição ao milho 2ª safra, por ser mais resistente às adversidades climáticas. Em 2003, houve um aumento de 167,62% na produção em relação à safra anterior. Goiás era o estado com maior produção, responsável por 35,37% da produção nacional. O município Rio Verde apresentou a maior participação, respondendo por 19% da produção do estado.

O tomate apresentou variação na produção de 6,81% em 2003, expansão de 5,44% na área colhida e 1,30% em produtividade. Este resultado se deve principalmente à indústria de molhos e condimentos, atividade que tem importância na indústria de transformação goiana.

A pecuária apresentou desempenho positivo em todos os segmentos, variando 1,13% em 2003, cujo destaque foram os rebanho de aves e suínos.

A criação de aves, em 2003, expandiu 10,03%, alcançando plantel de 35.937.069 cabeças, ante 32.552.645 em 2002. Caso semelhante aconteceu com a criação de suínos que teve uma variação positiva de 8,11%, passando de 1.360.573 em 2002, para 1.499.050 cabeças no ano de 2003.

Os bons resultados da atividade agropecuária no PIB goiano vêm sustentando taxas positivas ao longo dos últimos anos, fomentando a agroindústria, agregando mais valor aos produtos exportáveis e gerando novos postos de trabalho, garantindo assim o desenvolvimento de Goiás. É observado que esta atividade tem registrado crescimento acima da média estadual o que confere competitividade ao setor.

Indústria

 O crescimento industrial de Goiás está associado à expansão verificada na indústria de transformação. Tal fato deve-se ao fluxo de investimentos industriais que vêm ocorrendo no estado nos últimos anos. Em geral são indústrias que buscam novas áreas para investimentos em que os custos de produção sejam menores e que possam contar com incentivos financeiros.

O setor industrial é composto por indústria extrativa mineral, indústria de transformação, eletricidade, gás e água e construção civil. Essas atividades representaram 35,15% do total do PIB de Goiás em 2003, apresentando uma variação positiva de 4,53% e contribuindo com 1,48% no crescimento do PIB goiano. A atividade que mais contribuiu para o desempenho positivo foi a indústria de transformação.

A indústria de transformação goiana obteve excelente performance em 2003, crescendo 6,60% e agregando R$ 6,313 bilhões a economia. No período 2000 a 2003 esta atividade acumulou taxa de 30,78% e crescimento médio anual de 6,94%, superior ao da economia estadual (4,85%). Nesse mesmo período, houve uma elevação de 36,90% no emprego formal do setor, com média de 8,17% ao ano, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Essa atividade representou 53,00% na estrutura produtiva do setor industrial, destaque principalmente para os segmentos: alimentos e bebidas e metalúrgica básica.

Segundo  Pesquisa Industrial Anual (PIA) do IBGE, Goiás participava no Brasil com 1,20% no valor das vendas industriais em 2000, passando para 1,60% em 2003, ocupando a 10ª posição no ranking nacional. O ganho de participação foi motivado pela expansão da indústria alimentícia, com destaque para tomatados, tortas, bagaços, farelos e outros resíduos de soja e  indústria  extrativa mineral.

A atividade serviço industrial de utilidade pública (eletricidade, gás e água), depois de dois anos de resultados negativos, obteve crescimento de 5,24% e elevou o valor adicionado a R$ 2,194 bilhões no ano de 2003, ante R$ 1,695 bilhões em 2002. O expressivo resultado foi motivado pelo crescimento na geração e consumo de energia elétrica, e ainda, pelo início da operação da hidrelétrica de Cana Brava localizada no município de Cavalcante no nordeste goiano.

A indústria extrativa mineral cresceu 5,55% em 2003 e os principais destaques foram: Amianto - aumento na produção de 18,68% motivada pela expansão de novos mercados; Níquel – acréscimo de 2,92% influenciado pelo aumento na demanda do mercado asiático, principalmente pelo crescimento da indústria siderúrgica chinesa; Calcário agrícola – expandiu 3,45% motivado pelo favorável cenário da produção agrícola.

A construção civil em Goiás no ano de 2003 teve fraco desempenho, obtendo crescimento de 1,00%. O baixo crescimento desta atividade foi resultado da deterioração da renda e do nível de emprego, falta de financiamento habitacional e de investimentos em infra-estrutura. Estas variáveis tiveram maior impacto na construção civil nacional, ocasionando resultado negativo em 5,19%.

Serviços

O setor de serviços continuou perdendo participação no PIB goiano, passando de 44,87% em 2002 para  42,91%, em 2003. No ano em análise registrou taxa de crescimento positiva de 2,21%, destaque para outros serviços coletivos sociais e pessoais (5,70%), intermediação financeira (4,90%) e comércio (0,81%)

O comércio goiano teve desempenho de apenas 0,81% em 2003, inferior ao registrado no ano de 2002, que foi de 3,09%. Esse resultado refletiu o baixo poder aquisitivo da população naquele ano e a elevada taxa de juros (Selic) que inibiu o consumo. No acumulado de 2000 a 2003 registrou variação de 15,37%, com média anual no período de 3,64%.

Embora essa atividade tenha registrado baixo crescimento, exerce papel importante no emprego intensivo de mão-de-obra. Em 2003 representou 18,42% do emprego formal em Goiás, quando foram apurados 152.347 trabalhadores com carteira, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego.

As demais atividades do setor de serviços obtiveram as seguintes variações: atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados às empresas 3,00%; saúde e educação mercantis; alojamento e alimentação; e serviços domésticos, todas com variação de  2,10%; transporte e armazenagem (-0,26%); e comunicações (-1,65%).

Conclusão

O estado de Goiás vem apresentando crescimento econômico acima da média nacional. No ano de 2003, apesar do cenário macroeconômico nacional ter apresentado sérias dificuldades, Goiás apresentou crescimento do seu Produto Interno Bruto de 5,06% e atingiu R$ 36,835 bilhões, passando a participar em 2,37% do produto nacional.

A estrutura produtiva do PIB de Goiás apresentou modificações no ano de 2003, destaque para o setor industrial que passou de 32,62% no ano de 2002 para 35,15% no ano de 2003. O resultado foi influenciado pela indústria de transformação que saiu de 15,95% para 18,63% no ano em questão.

A Agropecuária apresentou crescimento de 11,33% em 2003, com agregação de R$ 7,434 bilhões na economia. O bom desempenho desta atividade deveu-se principalmente a dois fatores: crescimento da produtividade e aumento das exportações de produtos da agropecuária e da agroindústria.

A Indústria obteve uma variação positiva de 4,53%, agregando R$ 11,912 bilhões à economia goiana. Tal performance deveu-se ao bom resultado da indústria de transformação, cujo crescimento foi 6,60%.

O setor de serviços registrou incremento de 2,21% no ano de 2003. O baixo desempenho foi provocado pela queda na atividade de comunicações, transporte e o baixo crescimento do comércio.

No geral, observa-se que a economia goiana passa por um processo recente de desenvolvimento, saindo de um estágio em que as atividades primárias eram determinantes, iniciando um processo de industrialização focada em setores industriais que buscam novas áreas para investimentos em que  os custos de produção sejam menores, que possam contar com incentivos financeiros.

Referências

 

GOIÁS. Secretária de Planejamento e Desenvolvimento do Estado de Goiás. Produto Interno Bruto 2003. Goiânia, Seplan, 2005. Disponível em: http://www.seplan.go.gov.br.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Contas Regionais do Brasil 2003. Rio de Janeiro, 2005 e Contas Nacionais Trimestrais. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/pib/defaultcnt.shtm.



[1] Agradecimentos a Marcelo Cardoso da Silva pela contribuição na elaboração deste artigo.

* Economista, Pós-Graduanda em Economia Agroindustrial na UFG e Gerente de Contas Regionais da Superintendência de Estatística, Pesquisa e Informação da Seplan – GO. E-mail: dinamar@seplan.go.gov.br

** Economista, Pós-Graduado em Economia Agroindustrial pela UFG, Gestor de Planejamento e Orçamento da Seplan-GO e membro do Comitê Técnico Nacional do PIB Municipal. E-mail: marcos@seplan.go.gov.br

[2] Refere-se à variação do Produto Interno Bruto a preço de mercado corrente.

Sumário